Metodologia9 min

Performance e Crescimento: preparando o sistema para o futuro

Performance não é um projeto único, é uma disciplina contínua. Aprenda a integrar performance no ciclo de vida de desenvolvimento.

"Resolvemos o problema de performance." Até o próximo deploy. Até o próximo feature. Até o próximo crescimento de usuários. Performance não é um projeto com início e fim — é uma prática contínua que precisa estar integrada à cultura de engenharia.

Performance não é um destino. É uma jornada que nunca termina.

O Ciclo Vicioso de Performance

O padrão comum

Fase 1: Desenvolvimento
  "Foco em features, performance depois"

Fase 2: Lançamento
  "Está funcionando, vamos entregar"

Fase 3: Crescimento
  "Por que está ficando lento?"

Fase 4: Crise
  "Precisamos de um projeto de performance!"

Fase 5: Correção
  "Resolvemos!" (volta para Fase 1)

Por que acontece

Incentivos desalinhados:
  - Features são visíveis, performance não
  - Deadline pressiona cortar "extras"
  - Performance parece funcionar até quebrar

Falta de processo:
  - Sem SLOs definidos
  - Sem testes de performance em CI
  - Sem monitoramento proativo

Débito técnico:
  - "Otimizamos depois"
  - "Funciona para o volume atual"
  - "Quando for problema, resolvemos"

Integrando Performance no Ciclo

Shift-Left: Performance desde o design

No Design:
  - Considerar escala esperada
  - Escolher arquitetura adequada
  - Definir SLOs preliminares

No Desenvolvimento:
  - Profiling local
  - Testes de performance unitários
  - Code review com olhar de performance

No PR:
  - Testes de carga automatizados
  - Benchmark antes/depois
  - Verificação de regressão

SLOs como contrato

Definir SLOs antes de desenvolver:

Checkout API:
  - Latência p95: < 500ms
  - Disponibilidade: 99.9%
  - Error rate: < 0.1%

Tracking:
  - Dashboard de SLO compliance
  - Alertas quando degradando
  - Error budget review semanal

Performance no CI/CD

Pipeline stages:

1. Unit tests (inclui performance):
   - Benchmarks de funções críticas
   - Comparação com baseline
   - Fail se regressão > 10%

2. Integration tests:
   - Load test básico (smoke)
   - Verifica se ainda funciona sob carga

3. Pre-prod:
   - Load test completo
   - Comparação com produção atual
   - Gate de aprovação

4. Deploy:
   - Canary com métricas
   - Rollback automático se degradar

Cultura de Performance

Ownership distribuído

Não é responsabilidade de um time:
  ❌ "O time de performance resolve"

É responsabilidade de todos:
  ✅ "Cada time é dono da performance do seu serviço"

Modelo:
  - Time A: SLO de serviço A
  - Time B: SLO de serviço B
  - Platform: Ferramentas e padrões
  - SRE: Alertas e incident response

Métricas visíveis

Dashboards públicos:
  - SLO compliance por serviço
  - Trending de latência
  - Error budget restante

Revisões regulares:
  - Weekly: Team review de métricas
  - Monthly: Engineering-wide review
  - Quarterly: Executive report

Incentivos alinhados

OKRs que incluem performance:
  ❌ "Entregar feature X"
  ✅ "Entregar feature X mantendo p95 < 500ms"

Celebrar melhorias:
  - Reconhecer otimizações
  - Compartilhar aprendizados
  - Post-mortems de melhorias (não só incidentes)

Práticas Contínuas

Monitoring como hábito

Diário:
  - Revisar dashboards key
  - Verificar alertas pendentes
  - Notar tendências

Semanal:
  - Review de SLO compliance
  - Análise de slow queries
  - Revisão de error budget

Mensal:
  - Capacity planning update
  - Trend analysis
  - Próximos bottlenecks

Performance reviews

A cada release major:
  - Stress test completo
  - Comparação com release anterior
  - Identificar regressões

A cada quarter:
  - Revisão de arquitetura
  - Validar que escala para próximo quarter
  - Identificar débito de performance

Chaos engineering

Regular:
  - Falhar instâncias
  - Simular latência de dependências
  - Testar circuit breakers

Gamedays:
  - Simular Black Friday
  - Resposta a incidentes
  - Validar runbooks

Planejando para Crescimento

Capacity planning contínuo

Dados necessários:
  - Crescimento histórico de carga
  - Capacidade atual (do stress test)
  - Eventos futuros conhecidos

Processo mensal:
  1. Atualizar projeção de carga
  2. Comparar com capacidade
  3. Identificar quando atinge limite
  4. Planejar ações (escalar, otimizar)

Output:
  - Timeline de capacidade
  - Budget necessário
  - Decisões para próximo quarter

Roadmap de performance

Assim como roadmap de produto:

Q1:
  - Implementar caching layer
  - Otimizar queries críticas
  - Setup de stress test automatizado

Q2:
  - Read replicas para DB
  - CDN para assets estáticos
  - Autoscaling configuration

Q3:
  - Sharding de dados
  - Async processing para jobs
  - Cache de edge

Q4:
  - Multi-region setup
  - Global load balancing
  - Disaster recovery

Evitando Regressões

Gates de qualidade

PR não passa se:
  - Benchmark regredir > 5%
  - Novo endpoint sem SLO definido
  - Query sem EXPLAIN documentado
  - Falta de cache para dados estáticos

Deploy não acontece se:
  - Load test falhar
  - Canary mostrar degradação
  - Error budget exaurido

Alertas proativos

Alertar antes de virar problema:

Trend alerts:
  - Latência crescendo 5%/dia por 3 dias
  - Memory crescendo consistentemente
  - Error rate aumentando gradualmente

Capacity alerts:
  - CPU approaching 70%
  - Disk approaching 80%
  - Connection pool approaching limit

O Papel da Liderança

Executivos

Responsabilidades:
  - Incluir performance em goals
  - Alocar budget para infraestrutura
  - Celebrar melhorias publicamente

Perguntas a fazer:
  - "Qual nossa capacidade atual?"
  - "Quando atingimos o limite?"
  - "Qual o custo de não investir?"

Engineering managers

Responsabilidades:
  - Proteger tempo para performance
  - Balancear features com tech debt
  - Garantir ownership de SLOs

Perguntas a fazer:
  - "Quais são os SLOs do time?"
  - "Estamos dentro do error budget?"
  - "Qual o maior risco de performance?"

Engenheiros

Responsabilidades:
  - Considerar performance no design
  - Escrever código com performance em mente
  - Monitorar serviços que desenvolveu

Perguntas a fazer:
  - "Isso escala para 10x?"
  - "Qual a complexidade dessa operação?"
  - "Precisa de cache?"

Conclusão

Performance sustentável requer:

  1. Integração no ciclo - não como afterthought
  2. SLOs como contrato - definidos e medidos
  3. Ownership distribuído - cada time responsável
  4. Monitoramento contínuo - não só quando quebra
  5. Planejamento proativo - capacity planning regular
  6. Cultura de performance - incentivos alinhados

A metodologia OCTOPUS não é um projeto — é uma prática contínua.

O melhor momento para pensar em performance é antes de ter problema. O segundo melhor momento é agora.


Este artigo encerra a série sobre a metodologia OCTOPUS de Performance Engineering.

OCTOPUScrescimentoculturaprocesso
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